domingo, 15 de novembro de 2009

Vampiro


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Em uma de nossas despedidas,
Você me mandou este poema...]
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Tu, que com uma punhalada
Invadiste meu coração triste
Tu que forte como manada
De demônios, louca surgiste

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito ao ascendente
Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente.

Como a seu jogo o jogador
Como à garrafa o beberrão
Como os vermes á podridão
Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal feroz
Dar-me a liberdade um dia
Disse após ao veneno atroz,
Que me amparasse a covardia.

Mas não, o veneno e o punhal,
Disseram-me de ar zombeiro
Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.

Ah imbecil de seu retiro
Se te livrássemos um dia
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!


[Baudelaire*]

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