
[ O Ômega...]
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Aos passos sentidos de quem parte,
Na ânsia por reluzir a face em honra
E ao olhar a frente, como em disparate,
Quanto mais disto de amar se encontra.
E subestima enlaces ao desejar loucura
Dando asas a um sentimento terrestre,
Presa ao que nesta terra ainda perdura,
Como à raiz, devota-se um cipestre.
E entre o gotejar da chuva repentina,
Não mais distingo o que meu olhar diz
Ao desenrolar tímidas de minha retina,
Lágrimas tolas de um coração aprendiz.
E separada por todos os meus enganos,
Que sobre os quais, deleito pobre graça.
Nem poderia supor que noutros anos,
Do meu delírio, essa paixão desfaça.
Enquanto amparo a face ainda coberta,
Meus lábios pedem: sedentos, famintos!
A voz recua frente a boca semi-aberta,
Em breve pausa para ouvir meus instintos.
E por soluços, ouço-lhes dizer bem doce,
Ao som de Buarque, Toquinho ou Jobim,
Que se a ventura de amar, simples fosse...
Eu estaria em você, como estás em mim.
[Eurídice*]

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